Dr. Paulo Santos Cruz

A teoria da origem do Fila Brasileiro pelo Dr Paulo Santos Cruz está transcrita na íntegra no parágrafo abaixo:

“ Como na maioria das raças, a origem do Fila encontra-se diluída nas brumas de um passado bastante longínquo, pois há mais de cem anos já era a raça conhecida dos fazendeiros paulista. Hoje temos apenas teorias procurando explicar a sua formação, todas porém com falhas visíveis. As principais, por serem as mais correntes, atribuem-na : 1) ao cruzamento do Old English Mastiff com o nosso perdigueiro; 2) a uma raça trazida de Portugal pelos colonizadores e um tanto alterada pelo meio ambiente; 3) ao caldeamento do Mastiff com o Bloodhound e o Bulldog Inglês.

Em nossa opinião, a mais justificável é a terceira hipótese. Realmente, em qualquer exemplar de hoje, é fácil encontrar características dessas três raças. Um fila amarelo, de máscara preta, até aos 3 ou 4 meses de idade, confunde-se completamente com uma cria de mastiff. Em adultos já desaparece a possibilidade de confusões, porém o parentesco continua evidente,

Do Mastiff herdou o largo desenvolvimento craniano de braquicéfalo; a profundidade de maxilar inferior; o pescoço curto e grosso; a formidável estrutura óssea; a garupa levemente caída; confundiindo-se com a raiz da cauda; o dorso levemente concavilíneo; o tipo geral de molossóide e a coragem ilimitada.

Do Bloodhound recebeu a pele solta, formando rugas no crânio, barbelas desde a comissura labial até aos peitorais, sendo que, na maioria dos exemplares, se estendem por toda a linha inferior do tronco tomando o peito e ventre. São indiscutivelmente do Bloodhound : seu olhar triste; seus lábios pendentes; a linha do ventre sem excepção ( pouco tuck-up ); o faro aguçado; a pronunciada protuberância do occipital e o latido “arrastado” que, segundo alguns, é próprio do Bloodhound, como outros hounds. A maioria dos filas destaca os latidos, porém há os que emitem som parecido com uma buzina, embora também latam. Nós mesmos possuímos um que muitas vezes, antes de latir, assim procede.

È também rico o contingente trazido pelo Buldogue, representado não só pelo temperamento um tanto violentp e teimoso, mas também pela coloração araçá-rajado-escuro – que, segundo os entendidos, provém do antigo Buldogue. São comuns os Filas de orelha dobrada para trás ( rose ears ) típicas no Buldogue. O padrão deste menciona pernas traseiras mais altas que as dianteiras, detalhe encontrado no fila brasileiro, notado principalmente quando se movimenta despreocupado e a passo lento.

Quem pela primeira vez conhecer esta explicação da oriegm do Fila indaga curioso, como foi possível, no Brasil outrora, caldear estas três raças.

Ao que se sabe, os colonizadores trouxeram-nas por serem, na época, as mais populares e úteis.

O Mastiff na guarda dos aldeamentos era insuperável. O Bloodhound, cujo faro impunha sua utilização na caça aos escravos fugidos. E, finalmente, o Buldogue para a lida com os rebanhos.