Dilatação e Torção Gástrica

A dilatação e torção gastrica é uma patologia em que o estômago se encontra dilatado com gás e dessa forma pode ocorrer uma torção sob o seu eixo maior, resultando numa fermentação e aprisionamento de gás que se encontram no estômago.

A causa definitiva ainda está em estudos, provavelmente esta patologia resulta da interação de vários fatores de risco, como exercício vigoroso após ingestão de grandes quantidades de água ou após refeições,ingestão de alimentos fermentáveis como feijão, grão, etc. que estão associadas a uma única refeição diária, cadelas pós-parto com aumento das necessidades calóricas, stress e aumento da aerofagia (ingestão de ar). Animais que apresentem congenitamente um aumento da laxitude dos ligamentos hepatoduodenais e hepatogástricos são mais predispostos a sofrerem de dilatação e torção gástrica. Defeitos na eructação e uma diminuição do esvaziamento gástrico contribuem também para o aparecimento da doença.

Mesmo sendo uma das patologias não traumáticas trata-se de uma situação de urgência pois quando não tratadas imediatamente resultam em morte.

Estatisticamente sabe-se que raças de grande porte com peito profundo como os Doberman Pinscher, Dogue Alemão, Setter, Pastor Alemão, São Bernardo, Serras da Estrela, Fila Brasileiro entre outras, são mais predispostas para ocorrer dilatação com torção gástricas.

No entanto ocasionalmente, pode ocorrer em raças pequenas como os Bulldogs Ingleses, Terriers, Basset Hound, Teckels, Caniches e Pequinês apenas dilatação do estômago.

Pode afetar animais entre os 2 meses e 15 anos. Normalmente esta condição ocorre 2 a 3 horas após a ingestão de uma refeição.Existem fatores importantes a se levar em conta:

Esta patologia ocorre principalmente em cães de raças grandes e peito profundo;

A dilatação gástrica sem torção pode ocorrer ocasionalmente em raças pequenas;

O estômago distendido apresenta uma aparência dilatada no lado esquerdo do animal;

O estômago apresenta um som por de trás da última costela;

O estômago dilatado faz compressão sobre o diafragma começando a ocorrer dificuldades respiratórias;

Os animais tentam vomitar mas não o conseguem pois a passagem do cárdia para o esófago encontra-se obstruída pela torção. Pode existir hipersiália (formação excessiva de saliva);

A torção do estômago faz com que a circulação entre os vasos sanguíneos gástricos e esplénicos fique comprometida, resultando num choque profundo;

Finalmente o animal colapsa, deitando-se lateralmente, podendo observar-se o enorme volume distendendo o abdome.

A assistência por parte do médico veterinário deve ser imediata. É necessário que a pressão nas paredes do estômago e órgãos internos seja diminuída através da passagem de um tubo pelo estômago. Esta pressão também pode ser aliviada utilizando um catéter perfurando o estômago Para se diagnosticar de a dilatação possui a torção ou não deve ser feito um raio x abdominal.

É fundamental que se inicie o tratamento para reverter o choque com grandes quantidades de fluidos intravenosos. Uma vez que o paciente se encontre estabilizado, o estômago deverá ser recolocado na posição anatómica correcta. Para tal o animal tem de ser submetido a cirurgia abdominal sem demoras.

Após a recolocação do estômago na sua posição fisiológica, tem de se prevenir que haja recorrências, para tal é utilizado uma técnica cirúrgica – gastropexia. Este procedimento consiste em suturar uma porção do estômago à parede abdominal para que este não volte a rodar sobre si mesmo.Se existirem áreas de necrose (morte) da parede do estômago deverão ser removidas. Dependendo das circunstâncias em que o animal entre na clínica e analisando diversos fatores vitais como: severidade e agravamento da situação, problemas cardíacos secundários, extensão das áreas de necrose do estômago, entre outros, existe a probabilidade de cerca de 75% a 80% de sobrevivência dos animais após cirurgia.

A prevenção da doença pode ser feita atravès da gastropexia em animais predispostos sendo o método mais eficaz para evitar a ocorrência, podendo ser recomendado como profilaxia em animais valiosos. Na maior parte dos casos esta cirurgia não previne a dilatação mas sim a impossibilidade de torcer.

O animal deve ter duas refeições diárias, restrição de exercício antes e após a ingestão de água e/ou comida. Ter especial atenção às necessidades dietéticas pós-parto e minimizar as situações de stress.